A cebola tem um final mal feito

Ontem eu estava comentando com uma amiga o meu nível de azar. Algumas pessoas que trabalham comigo disseram que eu mereço o Troféu Abacaxi. Deste assunto tão chato surgiu a pergunta: "Por que as pessoas dizem 'abacaxi' quando se referem a um problema?". Simples, descascar abacaxi é muito chato. Ele tem espinhos, tem que tirar a coroa, lavar e tirar a casca, mas não é só isso, depois tem que tirar os 'olhos' do abacaxi, aquela parte marrom que parece uma semente e que existe aos montes na fruta. É um saco descascar abacaxi, por isso é um problema.

No mesmo instante pensamos a mesma coisa: "Ahh, mas pior ainda é cortar cebola!". Quando ainda estamos descascando a cebola tudo bem, o problema é quando tem que começar a picar. Quando os olhos começam a lagrimejar e aquele cheiro empesteia o rosto dá, literalmente, vontade de chorar. Tanto é verdade que no final os cortes da cebola estão tortos e mal picados, afinal, você fechou os olhos na primeira metade da cebola.

Começamos a rir lembrando do tormento que é picar uma cebola. Na realidade, é a alegria de ter terminado a faculdade está me fazendo rir até de um convite bizarro para ir ao cinema.



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 10h10
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Falta de fazer o que gosto. Vontade de fazer o que ainda não sei

Com 12 anos não fui capaz de responder um professor quando ele pediu para que eu dissesse, diante dos outros alunos, uma característica positiva e outra negativa em mim. Talvez na época eu já me conhecesse bem o suficiente para responder, mas não consegui e disse uma coisa qualquer. Além disso, acho muito babaca esse tipo de dinâmica, tipo "minha qualidade é a persistência, meu defeito é ser exigente". Ninguém é tão perfeito a ponto de ser só exigente.

Conheço cada uma das minhas características e as classifico com facilidade. Eu as apresento cotidianamente ao mundo em todas as oportunidades, mas com o passar dos anos algumas características foram ficando mais fortes e outras foram se perdendo. Eu costumava ver beleza em tudo, até nas pessoas; hoje ainda vejo delicadeza no beija-flor no quintal de casa, mas as pessoas continuam me decepcionando cada vez mais. Eu já fui mais paciente, já me preocupei com a opinião dos outros, hoje eu não me importo. Já quis muito alguma coisa, hoje quase nada me interessa tanto assim. A música já fez mais parte da minha vida, hoje quase não consigo ouvir uma canção inteira. Eu acreditava em finais felizes, hoje peço para que várias coisas acabem logo. Já tive muito tempo livre para fazer o que eu quisesse, hoje falta tempo até para fazer as unhas. Sinto falta dos amigos que tenho e que hoje estão tão longe, sinto falta da época que as contas não me preocupavam. Sinto falta do tempo que ter dez reais era muita grana e podia gastar aquela fortuna com o que eu quisesse.

Hoje, vivendo de um jeito adulto e indiscutivelmente responsável, meu medo é justamente esse, de me acostumar com o caminho que a vida impõe. Temos escolhas e podemos optar pelos diversos caminhos que encontramos pela vida, não precisa ser um só. Tenho medo de não ser dona dos meus planos, de fazer o que é cômodo e não o que é certo. Prefiro ter uma vida rock'n'roll, sem saber o que vai acontecer e buscar uma oportunidade nova a cada dia. Tenho calafrios só de pensar que a minha vida pode ser exatamente a mesma pelos próximos 40 anos, a mesma rotina e a mesma falta de sonhos. Isso seria uma tortura muito pior do que ouvir música sertaneja em todas as festas londrinenses.

Talvez um dos meus defeitos tenha se tornado uma qualidade. Impaciência era um defeito que hoje exerce um fogo de vida em mim, é como se eu não pudesse esperar pelo próximo capítulo da novela da minha vida. Vivo impaciente pra saber o que vai acontecer, qual vai ser a próxima viagem ou o próximo curso, mas sem esquecer daquilo que vivo agora, por mais que a vida monótona de hoje esteja me incomodando.



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 14h30
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Ao avesso

Vida de adulto é complicada. O trabalho que sufoca, a família que irrita e os amigos que brigam. Na vida adulta tudo é mais difícil. Quando crianças, arrumamos briga na escola por qualquer motivo, então todos vão para a diretoria que resolve o problema com uma punição leve. Na vida adulta as brigas não têm fim e o caráter daquela criança inocente sofreu influências e hoje é extremamente maldoso.

Dizem que criança é má e cruel. Mentira, eu as defendo, os adultos são infinitamente piores. Para a criança tudo é novo, tudo é incrível e desconhecido. O adulto já não é capaz de ver alegria nas coisas mais simples e por isso considera que a sua felicidade é ver a desgraça dos outros. Adulto fofoca, mente, inventa, aumenta, difama, humilha e trai. Criança quer apenas ser amada. Entretanto, sofre mais ainda o adulto que mantém seu caráter, influenciado pela família íntegra na qual nasceu, mas que convive com outros adultos fracos de personalidade. Resumindo, a vida acaba se tornando um mata-mata, os valores são deixados para trás e ninguém respeita ninguém.

O mais incrível é que todos dizem que não se importam, que não ligam e não se preocupam, mas esta é mais uma mentira contada pelos adultos fracos de caráter. A grande maioria se importa e interfere nas vidas alheias e aqueles que realmente não se incomodam são vistos como mentirosos. No fundo, a vida passa a ser um grande jogo de concorrência e os valores são abandonados, tal como a honestidade.

Adultos que viam toda a maldade humana se empenharam em escrever histórias infantis, com a intenção de influenciar a imaginação das criança e apresentar aos futuros adultos os tipos de sentimentos que a vida reserva. Entretanto, o que foi ensinado na infância raramente é aplicado na vida adulta. Nos contos infantis o vilão sempre perde e o bonzinho é quem sai vitorioso, coisa que não acontece na vida real. Hoje eu entendo que o lobo mau foi muito mal compreendido.



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 10h36
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Nem de graça.

Fizeram um filme sobre a vida do presidente. Quem fez? Empresas que pagaram uma fortuna para entrar na lista de patrocinadores da grande produção.

A Glória Pires foi responsável por parir aquilo que um dia se tornaria presidente. O problema começou bem ali. Se a mãe do Lula tivesse problemas de fertilidade, o Brasil jamais teria essa figura asquerosa como presidente. Com certeza daria vez para outro inútil, mas não seria aquele barbudo que fala "Petobrais". Chega a ser deprimente ver uma atriz tão respeitada se prestar a esse tipo de papel.

O filme servirá de campanha política para 2010, obviamente sem mencionar os escândalos que marcaram o governo deste comunista. Vai apenas contar a história triste de um pobre coitado que nasceu no fim do mundo e deixar de lado a falta de caráter e escrúpulos de um presidente.



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 09h50
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Os contos reais

Os clássicos infantis podem ser bem duros, mas são verdadeiros. Que maldade tentar matar alguém com uma maçã envenenada ou com o feitiço de uma roca. Que sofrimento dormir por cem anos. Pelo menos com essas histórias a criança tem plena noção de quem é bom e quem é mau. A Malévola é horrível e odeia a Aurora, já as fadas Flora, Fauna e Primavera dedicam anos de suas vidas para salvar a vida da princesa. A Medusa é uma mulher feia e mal-amada que inferniza a vida da Penny, e o Bernardo e a Bianca são dois ratinhos que ajudam a garota a encontrar o grande diamante.

Entretanto, nenhuma dessas histórias infantis retrata tão bem a amargura humana como a Bela e a Fera. O príncipe, homem poderoso e rico que vivia sozinho em seu castelo era incapaz de expressar amor e compaixão por qualquer pessoa. Um dia, uma senhora muito simples chegou ao castelo com um presente para o príncipe: uma rosa. Achando aquilo uma grande perda de tempo, o homem expulsou a senhora de sua casa. A mulher se transformou em uma fada, bonita e jovem que colocou o príncipe sob uma condição: até que a última pétala da rosa caísse, ele deveria mostrar-se bom e humano e caso isso não acontecesse, ficaria para sempre com a aparência de um monstro horrível, exatamente como ele era por dentro. A história é óbvia, ele conhece a Bela e no início a trata muito mal, mas depois acabam se apaixonando, o que dá fim ao feitiço.

Na vida real não é assim. Não mesmo. Existem os bons, os maus e estão todos misturados no mesmo mundo e nas mesmas relações. Quem dera poder condicionar as pessoas ao feitiço da fada e fazê-las ter a aparência física de acordo com a alma. Assim eu não seria enganada e saberia em quem confiar. Mas nesse mundo de máscaras e desconfianças, espero apenas ter o bom senso de dividir os tipos de seres humanos.

Há pessoas que têm prazer em ver a desgraça dos outros, como a madrasta da Branca de Neve que tinha inveja da beleza dela, ou como a Ursula que queria ser a rainha dos mares e por isso roubou a voz de Ariel, e também como a madrasta e as duas irmãs de Cinderela, que a mal tratavam e a excluíam. Nada disso mudou, tirando o ambiente das histórias, que antes eram as florestas encantadas e hoje são as cidades poluídas.

A cada dia que passa as pessoas me surpreendem menos. Os absurdos que acontecem parecem cada vez mais normais e a maldade rola solta, sem causar impacto algum. Os contos infantis tiveram muita influência no desenvolvimento do meu conceito de crueldade e em classificar as pessoas que correspondem aos vilões.

 



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 11h09
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Política de parceria

Ex-traficante? Ex-gay? Ex-bandido? Ex-biscate? Ex-drogado? Se até ex-namorado dá trabalho, imagina esses ex. Não existe ex-alguma coisa. O traficante vai ser sempre traficante, sempre vai vender qualquer porcaria manipulada para um babaca que quer curtir uma balada ou ter mais coragem pra chegar numa menina. Gay é sempre gay, mesmo que ele se case e tenha filhos, pode pular a cerca com uma pessoa do mesmo sexo. Biscate então, sem comentários, uma vez puta sempre puta.

Eu estava lendo uma reportagem no site do UOL de um ex-traficante dizendo que largou o crime para conscientizar jovens da favela através da música e da cultura. Ele acredita na comunidade que, segundo ele, é composta de 90% dos que esperam apenas por uma oportunidade. "O restante só é que é do crime. Tem muita gente do bem", diz Feijão, que também defende políticas públicas para a favela. "Hoje eu tenho voz, a minha história de vida, fora do tráfico, serve como exemplo para esses jovens, de que a superação é possível. Mas o tráfico não impede que o governo invista nas comunidades. Se for lazer, escola, coisa boa, não vai ter bandido que vai impedir." Se o tráfico é tão bom assim, por que o abandonou?

Claro, a voz que ele teve eram os tiros, colocando em risco a vida desses 90% de gente bondosa que só espera uma oportunidade. Deve valer muito a pena mesmo morar num lugar dominado por bandidos e ver gente morrer todo dia só para esperar uma chance de qualquer coisa. Já que os bandidos são tão acolhedores assim, o prefeito poderia ter feito campanha lá no alto do morro, prometendo escola e hospital para todos, aliás, poderia chamar o chefe do tráfico para ser secretário de segurança da cidade, assim estaria tudo perfeito: os traficantes e ex-traficantes fazendo a segurança da cidade toda e o Rio de Janeiro ficaria lindo.

"Nesse momento, as ações do governo nos deixam otimistas, mas é muito pouco ainda", diz Altair. "Todo conflito é negativo. Quando se adota uma política de enfrentamento, não adianta. A polícia tem que subir o morro e ficar lá, desenvolvendo ações. Acho que ele não se explicou direito, vou tentar traduzir, "Ô polícia, não vem encher o nosso saco aqui no morro senão vamos soltar fogo, mas se vocês quiserem fazer umas muretas nas entradas da favela, um espaço de extermínio para os nossos inimigos, disponibilizar uns carrões blindados e fazer umas trincheiras em alguns pontos da favela, pode vir, mas sem arma, beleza?"

Para evitar conflitos, nada mais óbvio do que unir-se ao inimigo. Nada como uma objetiva política de parcerias entre governo e tráfico. Eu acho que essa parceria vai dar o que falar nas Olimpíadas de 2016.

 



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 09h08
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Tinha que ser em São Paulo

Realmente, são dois países: o Brasil que vive de bolsa-miséria e o Brasil que se sustenta e ainda banca todo o resto. Brasília é a capital porca do Brasil, a capital política. São Paulo é a capital financeira, é o estado dono do dinheiro. Tanto é verdade que no estado de São Paulo foi sancionada uma lei que beneficia com aumento de salário os professores das escolas públicas que obtiverem boas notas nas provas aplicadas. O conteúdo engloba a própria disciplina do professor, conhecimentos pedagógicos e práticas didáticas. Este aumento não é simbólico, o professor que tiver bons resultados pode ter um aumento salarial de até 242%, simplesmente por mostrar domínio de conteúdo, esforço e competência.

Hoje, a maioria dos professores de escolas públicas pode ser comparada à maioria dos professores universitários. Eles não fazem a menor idéia do que é aquela disciplina, chegam na sala de aula achando que sabem de tudo, vomitam a matéria e se recusam a responder perguntas. O professor universitário tinha a obrigação de ser muito competente e dominar plenamente seu conteúdo. O professor de escola pública também, pois não sei se eles lembram, mas estão formando seres humanos.

 

Mas já que o salário é tão baixo, a estrutura das escola é tão ruim e os outros professores também não estão se importando, por que se preocupar? O dinheiro público vai chegar certinho no fim do mês de qualquer jeito. Essa lei obriga o professor a estudar, se aperfeiçoar, ir atrás de conteúdos sobre os quais ele não tem tanto domínio e quem ganha é todo o sistema educacional. Com um salário tão bom, professores realmente competentes irão buscar o cargo e, sem dúvida, desbancarão aqueles que estão há tanto tempo mamando no governo. Esta sim é uma atitude de mudança.

Entretanto, como sempre, todo povo acomodado se encosta em um sindicato e a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) posicionou-se contra a prova, dizendo ser um procedimento discriminatório e inconstitucional, pois agride o princípio da isonomia salarial. Antes de mais nada, discordo, pois sempre discordei de sindicato e me recuso e tornar-me membro de um. O princípio da isonomia salarial é uma lorota mesmo, diz que as pessoas que trabalham no mesmo cargo, com a mesma função, mesmo horário de trabalho e as mesmas obrigações devem receber o mesmo salário. Não devia ser assim em lugar nenhum. O trabalhador deveria receber de acordo com a sua competência e não por causa de um princípio ridículo. Acontece que nenhum sindicalista entende (e nem faz questão de entender) que o aumento de salário foi estipulado com base em uma prova e o profissional que obteve os melhores resultados tem o direito de receber, por mérito, um salário maior. Os que não conseguiram que estudem mais da próxima vez. Na verdade, sindicalista quer continuar fazendo de conta que trabalha, ter uma convenção coletiva de trabalho garantindo várias regalias sobre as quais ele não tem direito, receber verbas do governo e viver como o Paulinho da Força, podendo até ser eleito deputado.

 



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 08h55
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A pior sede

O Rio de Janeiro foi a cidade escolhida para ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Nem um mês após essa notícia tão atrativa, o Rio agora é visto pelo mundo todo como sede de uma guerra civil. A história é velha para todos os brasileiros, inclusive para os estrangeiros que já viram e viveram diversos acontecimentos violentos no mundo carioca. Arrastão em praia de gringo é algo corriqueiro.

César Cielo está preocupado com a fama do Rio diante do mundo, já que o planeta todo ficará atento aos acontecimentos na cidade nada maravilhosa. De nada adianta ser linda se for violenta na mesma proporção. Não fico surpresa com a violência no Rio, fico surpresa com a surpresa das pessoas ao verem as cenas de guerra e se preocuparem com os Jogos. Que se danem as vidas perdidas, o que importa mesmo é o dinheiro desviado proveniente do Ministério dos Esportes e seu ministro arroz de festa. Pra que preocupar-se com as família no meio do fogo cruzado? O governo quer ver o Copacabana Palace cheio de turistas, cobrar preços absurdos por uma caipirinha meia boca e valores desumanos pelas entradas nos ginásios.

Tanto é um absurdo que, na cerimônia na qual o Rio foi escolhido, havia mais políticos brasileiros do que de qualquer outro país que também concorria. Quando a vitória foi anunciada parecia final de Copa do Mundo, um bando de urubu berrando, pulando e se agarrando, obviamente, comemorando o dinheiro que será desviado. O Rio de Janeiro não tem condições físicas, financeiras, estruturais, governamentais, sociais, políticas e éticas para sediar um Jogos Olímpicos.

Na Grécia Antiga, as Olimpíadas não eram apenas disputas entre atletas em diversas modalidades, era um culto à beleza, fazia referência à mitologia e aos clássicos gregos. Hoje em dia é apenas uma forma de arrecadar dinheiro da forma mais porca e inculta que conseguiram promover. E continua dando certo.  



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 17h33
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Quero meu Fofo

O maior medo que eu tenho quando vou viajar por um longo tempo é pensar que algo importante pode acontecer e eu não estarei por perto. Para ser mais exata, tenho medo de perder alguém importante para mim. Entretanto, coisas ruins não acontecem apenas quando estamos do outro lado do oceano.

O Fofo sumiu. Eu estava em São Paulo quando minha mãe ligou dizendo que o Fofo havia saído para passear na noite anterior e que ainda estava fora. Não me preocupei muito por que ele fazia isso as vezes, só para provocar. Voltei de São Paulo e as semanas foram passando sem notícias do Fofo. Colocamos anúncio no jornal e uma moça até entrou em contato conosco ao ver um gato parecido, mas não era o Fofo.

Não tem como não reconhecer o Fofo. Ele é cinza, seu pêlo brilha e por causa das brigas pelas quais já passou, tem um buraco na orelha direita. Não enxerga muito bem de um olho e tem o miado mais bonito de todos os gatos. Há quatro meses ele foi embora e esse ano foi o meu primeiro aniversário sem ele. Sentava no sofá e assistia Law and Order, comia qualquer coisa que qualquer pessoa desse, odiava telefone e sempre que tocava ele miava insistentemente até a pessoa parar de falar. Sentia ciúmes de um namorado que eu tive e sentava entre nós dois. Provocava o meu cachorro e avançava nele apenas protegido pela janela de vidro, se sentia o reizinho da casa.

Acho que o Fofo viveu conosco por uns cinco anos. Ele chegou devagarzinho, como sempre fez, e minha mãe dava comida para ele. Aos poucos ele foi entrando e dominando a casa. Dormia comigo no sofá e sempre que me via um pouco chateada ficava do meu lado fazendo companhia, na verdade, eu era capaz de escutar os conselhos que ele me dava. O Fofo era mais que um gato, em vários momentos ele parecia um ser humano. O miado dele parecia a voz de alguém e ele miava dando tom às palavras. Ele desfilava, se exibia e rebolava como todo ser humano do sexo masculino. Mas meu Fofo não aprontava comigo, não me deixava esperando, não demorava três horas para chegar em casa, não culpava o trânsito. Ele estava ali, pronto para dar todo o seu carinho para mim, mesmo que eu estivesse empurrando a barriga dele para sair de cima do jornal.

É do Fofo que eu sinto falta, é por causa do Fofo que as vezes eu choro quando vou dormir e não tem aquela bola de pêlos para desejar 'boa noite', era dele que eu fazia videos com o celular, o jeito como ele recebia as visitas e ia abrindo espaço pela casa. O Fofo tinha uma educação exemplar, nunca sujou nada dentro de casa e quando sentia suas vontades miava sem parar até alguém abrir a porta. Tomava sol na garagem e ficava se esfregando na pedra. Nos dias de frio, passava horas em cima do carro por causa do calor do motor e se recusava a sair, mesmo que o dono do carro estivesse morrendo de pressa para alguma coisa, nessas situações o Fofo fazia cara de que não era com ele.

E o Fofo sumiu, eu não sei onde ele está ou se ainda está em algum lugar, mas só o fato de saber que ele não está comigo já me deixa suficientemente triste. Com essa chuva que está caindo agora, com certeza ele estaria no meu colo enquanto eu escrevo este texto.



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 21h14
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Que maldade!

Manoel Carlos, autor da novela "Viver a Vida" foi notificado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por causa do papel interpretado pela atriz Klara Castanho, de apenas 8 anos. A garota vive uma vilã na trama. O MP alegou que o trabalho infantil artístico deve respeitar, além dos critérios legais, os reflexos daquelas cenas em uma criança que ainda não possui discernimento absoluto das coisas. Significa que a garota poderia não saber diferenciar a vida real da ficção de uma novela.

Este acontecimento me faz lembrar uma história que minha mãe conta. Quando eu era criança e só usava vestido, meia fina e sapato de verniz, ia com ela para todos os lugares. Estávamos no banco e um homem se aproximou de minha mãe com um cartão, ele era de uma agência de modelos e disse que eu era muito bonita e daria uma ótima modelo de fotografia. Minha mãe começou a rir e disse que não estava interessada, mas o homem não parava de insistir, até que ela teve um ataque e ele saiu de perto. Ela conta isso dando risada e fala que é um absurdo uma mãe sujeitar a filha a uma situação dessas, na qual ninguém conhece ninguém e não sabe se esse "caçador de talentos" é um louco. Sempre concordei, afinal, do jeito que eu como qualquer porcaria, jamais conseguiria manter o peso ideal para ser modelo.

Acho um absurdo uma criança fazer papel de vilão, é um incentivo à maldade, como se no mundo já não houvesse maldade suficiente. Eu não assisto novela, mas fico imaginando os planos diabólicos de uma menina de 8 anos... falar sozinha com aquele olhar de ódio que é raro encontrar em uma criança, tramar contra a amiguinha da escola que não quis dividir o brinquedo, arquitetar uma briga com a menina mais bonita do bairro só para puxar o cabelo dela e tantos outros absurdos.

Aqui vai uma dica pro Manoel Carlos: coloque a Suzana Vieira como a loira do banheiro que assusta os garotos de 17 anos. É maldade também.



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 09h22
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Vaza, ENADE!

De repente o MEC resolveu fazer mais uma ação de caridade para os que pretendiam cursar uma Universidade. O ENEM foi assunto em capas de revistas, matérias enormes em jornais do país inteiro e notas na internet. A propaganda foi muito bonita e a idéia era reformar a prova com questões relacionadas ao mundo atual, testando a lógica e o raciocínio do aluno. Várias faculdades e universidades, públicas e particulares decidiram aderir ao novo exame como parte da nota de seus vestibulares. E assim estava decidido até a semana passada.

Os 4,5 milhões de alunos que se inscreveram no ENEM sabiam que a prova seria nos dias 3 e 4 de outubro. Entretanto, descobriu-se que os testes vazaram e a prova foi cancelada.
O MEC, como se fosse o Deus das Provas, simplesmente mudou a data do exame para os dias 5 e 6 de dezembro, sem se importar com a gravidade do problema, causando um grande prejuízo para a maioria dos alunos inscritos.
Algumas universidades mudaram as datas de seus vestibulares, outras decidiram que deixarão de fazer uso da nota do ENEM e o aluno é quem vai pagar pelo absurdo descuido de todo um Ministério que deixou de fiscalizar um prova de caráter federal.
Todo este ocorrido mostra o descaso com os futuros universitários que estão estudando como loucos com a cara no vestibular.
Agora só me resta torcer pra vazar a prova do ENADE também. Assim poderei aproveitar a Metamorfose no sábado e dormir o dia inteiro no domingo, sem me preocupar com uma prova ridícula de fim de curso imposta pelo MEC.

 



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 08h50
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Daria um processo administrativo bonito

É motivo de extrema felicidade saber que tenho apenas mais três meses de aula. Além de detestar o curso e desejar nunca precisar deste diploma pra sobreviver, detesto as atitudes que a minha universidade toma. Não existe o menor incentivo ao aluno, pois a direção pensa que PUC é PUC e os alunos devem agradecer por estudar ali. Acontece que eu agradeço se eu quiser, agradeço se eu achar merecedor. Analisando os cinco anos de curso, penso que não devo agradecer. E que fique bem claro, existem professores e professores, alguns são extremamente competentes, outros simplesmente não são. Prefiro agradecer pessoalmente os profissionais que mais admiro, incluindo as zeladoras, os atendentes e os seguranças.
A PUC inventou um tal Exame Multidisciplinar. Quando o exame foi aplicado pela primeira vez eu, obviamente, boicotei a prova. Entretanto, o exame seguinte valeu nota. O comodismo dos alunos fez com que a faculdade ficasse cada vez mais abusada e o exame passou a valer 3 grandiosos pontos. Isso foi motivo de revolta e e-mails de manifestação foram enviados aos montes pelos alunos através do sistema interno da PUC. Claro, eu também mandei um:
 
Quando comecei a receber os e-mails (indignados) sobre essa prova, não pude deixar de falar também, mas tive que esperar chegar o final de semana, pois até sexta feira minha turma teve provas e trabalhos todos os dias.
Sobre todos os pontos observados pelos alunos, tenho alguns comentários a fazer:
1. Realmente, não adianta levar qualquer questão para o diretor de curso, ele simplesmente não ouve ninguém;
2. Os alunos sabem o que professores pensam sobre o sistema adotado na PUC Londrina, mas não podemos sair contando a opinião deles, pois estamos colocando-os numa situação bem complicada, já que ir contra o superintendente do Campus é uma atitude perigosa;
3. Sobre o valor de 3 pontos, é realmente um absurdo. Na verdade acho que é uma obsessão extrema por reprovar cada vez mais alunos, e não sei pra quê. A PUC não precisou do dinheiro das nossas DPs para pagar a reforma do estacionamento;
4. Eu até topo ir reclamar para o Papa sobre o procedimento da PUC, mas só se a faculdade pagar a minha passagem pro Vaticano e se as minhas faltas forem abonadas!!!
5. O dinheiro do CA eu não pago faz tempo e nem foi por opção minha. Algumas vezes paguei o semestre inteiro de uma vez para ganhar desconto, mas se eu pago antecipado, os R$ 2,00 do CA são imediatamente cancelados do meu boleto, por iniciativa da faculdade! A mesma coisa acontece pra quem tem irmão na faculdade e recebe o desconto de 10%. Isso significa que a própria PUC boicota o Centro Acadêmico. Então, membros do CA, não nos façam sentirmos culpados por querermos tirar nosso dinheiro de vocês.
6. Sobre boicotar o exame semestre que vem, eu concordo totalmente, mas espero que os alunos não se esqueceçam dessas pequenas manifestações, pois até o próximo exame temos mais 7 meses!
7. De nada pela nota 4 do Enade, viu Direção?
8. Detalhe: em janeiro a mensalidade aumenta! E ninguém pergunta a nossa opinião sobre isso!
Sinceramente, não acho que esses e-mails valerão para alguma coisa, deve ter gente que nem lê. Mas eu precisava, pelo menos, zoar com tudo isso e contar o que eu sei.
E só pra lembrar: a faculdade não forma ninguém, se você quiser ser alguém na vida, depende só de você.
Falou gente! Beijo, me liga!

 
Agora, na reta final, continuo pensando do mesmo jeito, não é a faculdade que forma o aluno, ela dá apenas um canudo com um pedaço de papel comprovando que o estudante fez mesmo aquele curso. A competência não vem com o diploma, vem com o caráter. Coisa rara...



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 22h08
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ProBandidagem

Não costumo ler o jornal regional de Londrina. As notícias são fracas e as matérias não têm conteúdo. Gosto mesmo é de ler a Folha de São Paulo. Numa manhã da semana passada a Folha demorou pra chegar e eu comecei a ler o JL. Um dos preceitos do jornalismo é que ao escrever uma matéria, o jornalista não pode envolver seus sentimentos ou opiniões.
Uma das principais notícias do jornal era a de um detento que havia conseguido uma vaga na faculdade de psicologia pelo ProUni. Ele estava cumprindo pena de 15 anos por latrocínio (quando o assaltante mata a pessoa que está sendo assaltada). Vai começar a estudar em breve. O jornalista escreveu que aquela era uma oportunidade muito boa, já que dentro da cadeia o detento não dava problemas e inclusive trabalhava (uau!). O detento afirma que usava drogas, mas, obviamente, se arrependeu de seus atos.
Ainda bem que eu não sou jornalista e não escrevo comprometida à nenhuma publicação. Simplesmente não concordo, na verdade, considero um absurdo.
Esse homem matou alguém. Não interessa se ele está arrependido ou não. Alguém pensou em como está a família da vítima? Será que o pai ou o irmão da pessoa que morreu está pensando "Ahh, que legal... ele devia ser um bom moço. Até trabalhava né... isso não é para qualquer um. Parabéns."
Este detento foi acusado, preso, julgado, condenado e agora cumpre pena. Até aí tudo bem. Mas receber um incentivo do governo para fazer faculdade de psicologia é um absurdo. O ProUni é um projeto do governo, portanto, faz uso de verba pública, inclusive da família da vítima, ou seja: eles estão pagando a faculdade para o assassino de um ente querido. Que programa governamental é esse que não possui requisitos, que não tem ética, que não faz uma pré seleção de seus candidatos?
Sabe como ele vai cursar a faculdade? Todos os dias, com dinheiro público, um policial pegará o carro da polícia e o levará para a faculdade. Simples assim, como se fosse um serviço de taxi gratuito.
Outro ponto de extrema relevância: Psicologia. O que um assassino vai fazer no curso de psicologia? Inventar teorias como: "A arte de matar e ficar impune" ou "Como entrar na mente de um assassino".
Com esses acontecimentos desumanos eu só consigo chegar a uma conclusão: vale a pena ser bandido no Brasil. Rouba, mata e ainda faz faculdade. Ou melhor, ser burro, cachaceiro, bandido e presidente!



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 22h43
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Minha vida bipolar

O Brasil tem 5 milhões de bipolares. O transtorno bipolar é conhecido pela oscilação de humor das pessoas.
Então eu só posso conluir que também sou bipolar. Sou bem humorada o dia todo, mas quando vejo que são 18h e preciso ir para a faculdade, bate uma depressão... xingo o mundo no caminho da aula. Às 22h já estou feliz de novo porque vou para casa.
Outro exemplo, estou dormindo no sofá da sala num sábado a tarde. Embora eu esteja dormindo sei que estou feliz. Tanto é verdade que, se toca o telefone e eu tenho que levantar para atendê-lo, meu humor muda na hora e fica pior ainda se for gente de telemarketing enchendo o saco.
Saber que peguei DP por 0,3: mau humor. Saber que daqui alguns meses vou me mudar: ótimo humor. Ser barrada numa balada quando era menor de idade: mau humor insuportável. Hoje fico bem humorada até nas baladas mais esquisitas.
 
Eu não estou tirando sarro das pessoas que sofrem de transtorno bipolar. Mas se esta doença é caracterizada pelas mudanças de humor, todos deveriam ser analisados, pois na vida é perfeitamente normal passar por situações fáceis e difíceis. As pessoas deveriam aprender a lidar com isso.
Os problemas são resolvíveis. O que não tem solução são as coisas pelas quais não nos esforçamos. Nada cai do céu, só água e ainda assim está sempre suja. Entretanto, existem pessoas que sonham com a jogada perfeita, o cliente perfeito, a bolada perfeita.
Existe uma jogada perfeita no Brasil que sempre dá certo: ser político. Conquiste várias pessoas que acreditam nas suas besteiras, torne-se prefeito, senador, presidente e continue com toda aquela lorota política. Dê bolsa-família, vale-gás, kit-desgraça, enfie dinheiro nos bolsos de empresários bandidos, diga que não sabia de nada, defenda um ex-presidente que sofreu impeachment, cante "Let it Be", suborne, nege, ameace, roube, explore, governe.
Isso sim é uma jogada perfeita, exclusivamente para os que não têm caráter nenhum. Eu prefiro continuar sendo bipolar.



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 10h56
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Poses inúteis

Só os mais desinformados não souberam do médico que foi preso acusado de praticar 56 estupros. As reportagens que a Folha de São Paulo e a Veja publicaram mostram que centenas de casais procuraram os serviços de Roger Abdelmassih para tentar ter um filho. A primeira consulta era realizada normalmente. O casal contratava um pacote com normalmente três tentativas de fertilização e a mulher entrava na sala sozinha para realizar o procedimento. O médico aplicava uma anestesia geral e a paciente dormia. Enquanto isso, os maridos ficavam na sala de espera. Não vou discutir a necessidade da anestesia porque não sou médica, mas acho que não haveria problema algum o marido assistir ao tratamento.
Os relatos são horrorosos, esse médico cometia verdadeiras atrocidades. Algumas mulheres poderiam nem sentir o que acontecia com elas. Entretanto, eu vejo problema justamente com as mulheres que acordavam no meio do ato sexual e tinham plena consciência do que havia acontecido.
Algumas pacientes contaram que na época não disseram nada aos seus maridos por medo de não acreditarem nelas. Para dizer a verdade, eu realmente acho que existe homem burro o bastante para pensar que a mulher é a culpada por dar mole para o médico. Eles não têm a menor noção que aquela posição nos deixa extremamente desconfortáveis e vulneráveis.
Mas o que mais me choca é o fato da mulher saber que o médico tentou, ou realmente chegou a estuprá-la e ainda assim continuar o tratamento, tudo para ter um filho. Um médico violentou o seu corpo e você ainda foi capaz de sujeitar-se ao mesmo procedimento. Isso não é amor por um filho, é falta de amor próprio.
A história desse médico é tão horrorosa quanto foi o assassinato da Isabela Nardoni e do João Hélio, mas vai terminar da mesma forma que os outros. Poucos devem saber que pouco mais de um ano depois, o pai e a madrasta de Isabela foram contemplados com um habeas corpus. Esse médico é rico e a clínica dele continua funcionando. Nenhum dinheiro vai reparar os danos sofridos pelas vítimas e daqui a pouco ele também vai receber um habeas corpus. Então qual é o motivo das denúncias, da prisão, da cena da Polícia Federal já que a justiça é assim: porca, inútil, imunda e responsável por tantas atrocidades.



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 10h51
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