para mim mesma,

Como a gente reclama das coisas. Chora de barriga cheia por qualquer bobeira. É muito egoísmo.

No ano passado conheci uma amiga incrível e numa festa de fim de ano o assunto era a vida. Tudo sobre a vida, os planos frustrados, os planos pro futuro, os planos de viagem, as besteira que já fizemos, as besteiras que fizeram com a gente e as conclusões de tudo isso. Obviamente não chegamos à conclusão nenhuma, mas todas as hipóteses nos renderam muitas risadas. No meio dessa conversa um blog entrou na história. Não era o meu, era o de uma mulher que perdeu o namorado dois meses antes do nascimento do filho deles. Ela colocou na rede as histórias do pai com o objetivo de um dia o filho saber quem foi seu genitor através dos olhos da mãe.

Nessa semana, a Bruna deu o presente de aniversário que havia comprado para mim, um livro "para Francisco,". Do blog foi feito um livro e a minha amiga lembrou da conversa que havíamos tido meses atrás. Justo naquele dia eu ia começar a ler "A Viagem do Elefante", mas deixei Saramago de lado e fui conhecer a história da moça do blog.

Ela conta o medo que teve de esquecer quem era aquele homem e por isso resolveu escrever. No livro tem fotos, e-mails e conversas dos dois, assuntos pessoais e principalmente as histórias escritas para seu filho, Francisco, que ela colocou na internet para tentar aliviar a sua dor. Eu não consigo imaginar o sofrimento dessa mulher, primeiro porque não sou mãe e não tenho idéia do que é amar um filho meu e segundo porque do jeito que ela fala dele, eu tenho a sensação que amor como aquele nunca aconteceu comigo.

O casal parecia ser muito bem humorado, feliz com a vida, em paz com o mundo e esperando um filho. Tudo perfeito e de repente, a surpresa triste de perder alguém. Muita gente preferiria se matar, mas ela encontrou forças no filho, uma coisinha pequena que não faz nada sozinho mas que foi o responsável pela continuação da vida da mãe.

E nós estamos aí, reclamando da chuva que não pára ou do sol que queima, do trabalho, do relatório, do chefe, da faculdade, do tanto que fulano gasta ou de como beltrano é mão-de-vaca, da vida corrida, das férias que nunca chegam, da fila do cinema enorme, da comida ruim do restaurante. Não somos capazes de olhar ao redor e ver como a vida é boa conosco e que os problemas existem sim, mas são resolvíveis, enquanto a morte é irremediável e traiçoeira, pois é capaz de destruir a felicidade que é a vida.



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 22h10
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Bando de Porcos

Que vergonha de ser brasileira. As vezes tenho vontade de abrir mão da minha condição de cidadã do Brasil e assumir de vez a cidadania italiana adquirida com muito esforço. Mas isso seria trocar seis por meia dúzia, o Berlusconi é outro político sujo como muitos por aqui.

Embora a internet e suas inúmeras ferramentas sejam tão acessíveis, as pessoas estão cada vez mais alienadas. Ninguém se revolta mais, a maior manifestação que o Brasil viu este ano foi a Parada Gay. Em 1992, o Collor foi denunciado por muito menos se comparado aos absurdos que o governo Lula já fez e insistiu em dizer que não sabia de nada. Hoje as pessoas estão mais preocupadas em saber se a Gisele Bündchen está grávida do que com os escândalos do Senado.

Os critérios de avaliação deveriam mudar. Já que o trio ternura do Senado hoje é composto por José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros, deveriam selecionar o aluno mais burro e medíocre para o primeiro lugar em medicina no vestibular, o Fernandinho Beira-Mar para presidente de penitenciária, a Suzane Von Richthofen para Promotora Pública e Luciana Gimenez para escrever críticas no lugar de Carlos Heitor Cony. Um pouco de uniformidade neste país, por favor. Se for para obrigar o brasileiro a assinar um atestado de burrice, que seja assim em todos os sentidos.

Não vou comentar que as onze denúncias feitas contra Sarney foram arquivadas, pressuponho que todos saibam. Mas preciso dizer o tamanho do meu inconformismo. Quando algo grande, de repercussão nacional acontece, pensamos que dali em diante tudo será diferente. Doce ilusão. Há quase vinte anos os jovens eram mais envolvidos e conheciam mais, havia críticos e formadores de opiniões mais enfáticos, havia artistas tão brilhantes que enganavam a censura, havia gente que lutava por um país melhor. Hoje a música do momento são os funks nojentos incentivados por danças que parecem orgias em locais públicos.

Quando eu era criança e o Presidente ia fazer algum pronunciamento, tocava aquela música parecida com a Hora do Brasil e mostrava o Fernando Henrique Cardoso, com a banderia do Brasil e uma estante cheia de livros atrás dele. Apesar de não entender nada do que ele dizia, afinal eu tinha uns 7 ou 8 anos, sentia certa admiração, era uma figura que eu respeitava, ouvia tudo e as vezes perguntava algo para a minha mãe. Não sei se era o cabelo grisalho dele ou o meu bom senso por saber que criança tem que ficar quieta quando um adulto fala, principalmente o Presidente. Em 2002 vem aquele barbudo, cara de comunista, gordo e sem nenhuma elegância. É claro que o meu respeito parou no FHC. Além disso, aos 15 anos eu já era razoavelmente politizada e tinha motivos para odiar o novo presidente.

É degradante ouvir o procunciamento do Sarney e não poder fazer nada. Alguns podem argumentar dizendo que hoje é possível mandar e-mail diretamente para os Senadores. Sobre isso eu tenho duas coisas a dizer: 1) ao mandar o e-mail para o Senado não forneça nenhum dado pessoal, nem seu nome completo. Do jeito que os caras são sacanas, vão entregar seus dados para a Receita e investigarão toda a sua vida; 2) aposto que algum parente do Sarney recebe um gordo salário do Senado só para apagar todos os e-mails que chegam, assim nenhum e-mail vai voltar acusando que a caixa postal está lotada, fazendo você pensar que cumpriu o seu dever cívico.



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 14h47
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