ProBandidagem

Não costumo ler o jornal regional de Londrina. As notícias são fracas e as matérias não têm conteúdo. Gosto mesmo é de ler a Folha de São Paulo. Numa manhã da semana passada a Folha demorou pra chegar e eu comecei a ler o JL. Um dos preceitos do jornalismo é que ao escrever uma matéria, o jornalista não pode envolver seus sentimentos ou opiniões.
Uma das principais notícias do jornal era a de um detento que havia conseguido uma vaga na faculdade de psicologia pelo ProUni. Ele estava cumprindo pena de 15 anos por latrocínio (quando o assaltante mata a pessoa que está sendo assaltada). Vai começar a estudar em breve. O jornalista escreveu que aquela era uma oportunidade muito boa, já que dentro da cadeia o detento não dava problemas e inclusive trabalhava (uau!). O detento afirma que usava drogas, mas, obviamente, se arrependeu de seus atos.
Ainda bem que eu não sou jornalista e não escrevo comprometida à nenhuma publicação. Simplesmente não concordo, na verdade, considero um absurdo.
Esse homem matou alguém. Não interessa se ele está arrependido ou não. Alguém pensou em como está a família da vítima? Será que o pai ou o irmão da pessoa que morreu está pensando "Ahh, que legal... ele devia ser um bom moço. Até trabalhava né... isso não é para qualquer um. Parabéns."
Este detento foi acusado, preso, julgado, condenado e agora cumpre pena. Até aí tudo bem. Mas receber um incentivo do governo para fazer faculdade de psicologia é um absurdo. O ProUni é um projeto do governo, portanto, faz uso de verba pública, inclusive da família da vítima, ou seja: eles estão pagando a faculdade para o assassino de um ente querido. Que programa governamental é esse que não possui requisitos, que não tem ética, que não faz uma pré seleção de seus candidatos?
Sabe como ele vai cursar a faculdade? Todos os dias, com dinheiro público, um policial pegará o carro da polícia e o levará para a faculdade. Simples assim, como se fosse um serviço de taxi gratuito.
Outro ponto de extrema relevância: Psicologia. O que um assassino vai fazer no curso de psicologia? Inventar teorias como: "A arte de matar e ficar impune" ou "Como entrar na mente de um assassino".
Com esses acontecimentos desumanos eu só consigo chegar a uma conclusão: vale a pena ser bandido no Brasil. Rouba, mata e ainda faz faculdade. Ou melhor, ser burro, cachaceiro, bandido e presidente!



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 22h43
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