A pior sede

O Rio de Janeiro foi a cidade escolhida para ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Nem um mês após essa notícia tão atrativa, o Rio agora é visto pelo mundo todo como sede de uma guerra civil. A história é velha para todos os brasileiros, inclusive para os estrangeiros que já viram e viveram diversos acontecimentos violentos no mundo carioca. Arrastão em praia de gringo é algo corriqueiro.

César Cielo está preocupado com a fama do Rio diante do mundo, já que o planeta todo ficará atento aos acontecimentos na cidade nada maravilhosa. De nada adianta ser linda se for violenta na mesma proporção. Não fico surpresa com a violência no Rio, fico surpresa com a surpresa das pessoas ao verem as cenas de guerra e se preocuparem com os Jogos. Que se danem as vidas perdidas, o que importa mesmo é o dinheiro desviado proveniente do Ministério dos Esportes e seu ministro arroz de festa. Pra que preocupar-se com as família no meio do fogo cruzado? O governo quer ver o Copacabana Palace cheio de turistas, cobrar preços absurdos por uma caipirinha meia boca e valores desumanos pelas entradas nos ginásios.

Tanto é um absurdo que, na cerimônia na qual o Rio foi escolhido, havia mais políticos brasileiros do que de qualquer outro país que também concorria. Quando a vitória foi anunciada parecia final de Copa do Mundo, um bando de urubu berrando, pulando e se agarrando, obviamente, comemorando o dinheiro que será desviado. O Rio de Janeiro não tem condições físicas, financeiras, estruturais, governamentais, sociais, políticas e éticas para sediar um Jogos Olímpicos.

Na Grécia Antiga, as Olimpíadas não eram apenas disputas entre atletas em diversas modalidades, era um culto à beleza, fazia referência à mitologia e aos clássicos gregos. Hoje em dia é apenas uma forma de arrecadar dinheiro da forma mais porca e inculta que conseguiram promover. E continua dando certo.  



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 17h33
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Quero meu Fofo

O maior medo que eu tenho quando vou viajar por um longo tempo é pensar que algo importante pode acontecer e eu não estarei por perto. Para ser mais exata, tenho medo de perder alguém importante para mim. Entretanto, coisas ruins não acontecem apenas quando estamos do outro lado do oceano.

O Fofo sumiu. Eu estava em São Paulo quando minha mãe ligou dizendo que o Fofo havia saído para passear na noite anterior e que ainda estava fora. Não me preocupei muito por que ele fazia isso as vezes, só para provocar. Voltei de São Paulo e as semanas foram passando sem notícias do Fofo. Colocamos anúncio no jornal e uma moça até entrou em contato conosco ao ver um gato parecido, mas não era o Fofo.

Não tem como não reconhecer o Fofo. Ele é cinza, seu pêlo brilha e por causa das brigas pelas quais já passou, tem um buraco na orelha direita. Não enxerga muito bem de um olho e tem o miado mais bonito de todos os gatos. Há quatro meses ele foi embora e esse ano foi o meu primeiro aniversário sem ele. Sentava no sofá e assistia Law and Order, comia qualquer coisa que qualquer pessoa desse, odiava telefone e sempre que tocava ele miava insistentemente até a pessoa parar de falar. Sentia ciúmes de um namorado que eu tive e sentava entre nós dois. Provocava o meu cachorro e avançava nele apenas protegido pela janela de vidro, se sentia o reizinho da casa.

Acho que o Fofo viveu conosco por uns cinco anos. Ele chegou devagarzinho, como sempre fez, e minha mãe dava comida para ele. Aos poucos ele foi entrando e dominando a casa. Dormia comigo no sofá e sempre que me via um pouco chateada ficava do meu lado fazendo companhia, na verdade, eu era capaz de escutar os conselhos que ele me dava. O Fofo era mais que um gato, em vários momentos ele parecia um ser humano. O miado dele parecia a voz de alguém e ele miava dando tom às palavras. Ele desfilava, se exibia e rebolava como todo ser humano do sexo masculino. Mas meu Fofo não aprontava comigo, não me deixava esperando, não demorava três horas para chegar em casa, não culpava o trânsito. Ele estava ali, pronto para dar todo o seu carinho para mim, mesmo que eu estivesse empurrando a barriga dele para sair de cima do jornal.

É do Fofo que eu sinto falta, é por causa do Fofo que as vezes eu choro quando vou dormir e não tem aquela bola de pêlos para desejar 'boa noite', era dele que eu fazia videos com o celular, o jeito como ele recebia as visitas e ia abrindo espaço pela casa. O Fofo tinha uma educação exemplar, nunca sujou nada dentro de casa e quando sentia suas vontades miava sem parar até alguém abrir a porta. Tomava sol na garagem e ficava se esfregando na pedra. Nos dias de frio, passava horas em cima do carro por causa do calor do motor e se recusava a sair, mesmo que o dono do carro estivesse morrendo de pressa para alguma coisa, nessas situações o Fofo fazia cara de que não era com ele.

E o Fofo sumiu, eu não sei onde ele está ou se ainda está em algum lugar, mas só o fato de saber que ele não está comigo já me deixa suficientemente triste. Com essa chuva que está caindo agora, com certeza ele estaria no meu colo enquanto eu escrevo este texto.



Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 21h14
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