Tinha que ser em São Paulo
Realmente, são dois países: o Brasil que vive de bolsa-miséria e o Brasil que se sustenta e ainda banca todo o resto. Brasília é a capital porca do Brasil, a capital política. São Paulo é a capital financeira, é o estado dono do dinheiro. Tanto é verdade que no estado de São Paulo foi sancionada uma lei que beneficia com aumento de salário os professores das escolas públicas que obtiverem boas notas nas provas aplicadas. O conteúdo engloba a própria disciplina do professor, conhecimentos pedagógicos e práticas didáticas. Este aumento não é simbólico, o professor que tiver bons resultados pode ter um aumento salarial de até 242%, simplesmente por mostrar domínio de conteúdo, esforço e competência. Hoje, a maioria dos professores de escolas públicas pode ser comparada à maioria dos professores universitários. Eles não fazem a menor idéia do que é aquela disciplina, chegam na sala de aula achando que sabem de tudo, vomitam a matéria e se recusam a responder perguntas. O professor universitário tinha a obrigação de ser muito competente e dominar plenamente seu conteúdo. O professor de escola pública também, pois não sei se eles lembram, mas estão formando seres humanos. Mas já que o salário é tão baixo, a estrutura das escola é tão ruim e os outros professores também não estão se importando, por que se preocupar? O dinheiro público vai chegar certinho no fim do mês de qualquer jeito. Essa lei obriga o professor a estudar, se aperfeiçoar, ir atrás de conteúdos sobre os quais ele não tem tanto domínio e quem ganha é todo o sistema educacional. Com um salário tão bom, professores realmente competentes irão buscar o cargo e, sem dúvida, desbancarão aqueles que estão há tanto tempo mamando no governo. Esta sim é uma atitude de mudança.
Entretanto, como sempre, todo povo acomodado se encosta em um sindicato e a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) posicionou-se contra a prova, dizendo ser um procedimento discriminatório e inconstitucional, pois agride o princípio da isonomia salarial. Antes de mais nada, discordo, pois sempre discordei de sindicato e me recuso e tornar-me membro de um. O princípio da isonomia salarial é uma lorota mesmo, diz que as pessoas que trabalham no mesmo cargo, com a mesma função, mesmo horário de trabalho e as mesmas obrigações devem receber o mesmo salário. Não devia ser assim em lugar nenhum. O trabalhador deveria receber de acordo com a sua competência e não por causa de um princípio ridículo. Acontece que nenhum sindicalista entende (e nem faz questão de entender) que o aumento de salário foi estipulado com base em uma prova e o profissional que obteve os melhores resultados tem o direito de receber, por mérito, um salário maior. Os que não conseguiram que estudem mais da próxima vez. Na verdade, sindicalista quer continuar fazendo de conta que trabalha, ter uma convenção coletiva de trabalho garantindo várias regalias sobre as quais ele não tem direito, receber verbas do governo e viver como o Paulinho da Força, podendo até ser eleito deputado.
Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 08h55
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