Política de parceria
Ex-traficante? Ex-gay? Ex-bandido? Ex-biscate? Ex-drogado? Se até ex-namorado dá trabalho, imagina esses ex. Não existe ex-alguma coisa. O traficante vai ser sempre traficante, sempre vai vender qualquer porcaria manipulada para um babaca que quer curtir uma balada ou ter mais coragem pra chegar numa menina. Gay é sempre gay, mesmo que ele se case e tenha filhos, pode pular a cerca com uma pessoa do mesmo sexo. Biscate então, sem comentários, uma vez puta sempre puta. Eu estava lendo uma reportagem no site do UOL de um ex-traficante dizendo que largou o crime para conscientizar jovens da favela através da música e da cultura. Ele acredita na comunidade que, segundo ele, é composta de 90% dos que esperam apenas por uma oportunidade. "O restante só é que é do crime. Tem muita gente do bem", diz Feijão, que também defende políticas públicas para a favela. "Hoje eu tenho voz, a minha história de vida, fora do tráfico, serve como exemplo para esses jovens, de que a superação é possível. Mas o tráfico não impede que o governo invista nas comunidades. Se for lazer, escola, coisa boa, não vai ter bandido que vai impedir." Se o tráfico é tão bom assim, por que o abandonou? Claro, a voz que ele teve eram os tiros, colocando em risco a vida desses 90% de gente bondosa que só espera uma oportunidade. Deve valer muito a pena mesmo morar num lugar dominado por bandidos e ver gente morrer todo dia só para esperar uma chance de qualquer coisa. Já que os bandidos são tão acolhedores assim, o prefeito poderia ter feito campanha lá no alto do morro, prometendo escola e hospital para todos, aliás, poderia chamar o chefe do tráfico para ser secretário de segurança da cidade, assim estaria tudo perfeito: os traficantes e ex-traficantes fazendo a segurança da cidade toda e o Rio de Janeiro ficaria lindo. "Nesse momento, as ações do governo nos deixam otimistas, mas é muito pouco ainda", diz Altair. "Todo conflito é negativo. Quando se adota uma política de enfrentamento, não adianta. A polícia tem que subir o morro e ficar lá, desenvolvendo ações. Acho que ele não se explicou direito, vou tentar traduzir, "Ô polícia, não vem encher o nosso saco aqui no morro senão vamos soltar fogo, mas se vocês quiserem fazer umas muretas nas entradas da favela, um espaço de extermínio para os nossos inimigos, disponibilizar uns carrões blindados e fazer umas trincheiras em alguns pontos da favela, pode vir, mas sem arma, beleza?" Para evitar conflitos, nada mais óbvio do que unir-se ao inimigo. Nada como uma objetiva política de parcerias entre governo e tráfico. Eu acho que essa parceria vai dar o que falar nas Olimpíadas de 2016.
Escrito por Nathália Guimarães Teixeira às 09h08
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|